O presente

 

 

O sol brilhava no amanhecer;

Sem dúvida um bonito dia,

Pois tudo instigava a viver;

Onde olhava, tudo me sorria.

 

 

Nas árvores, pássaros cantavam;

O céu azul tão infindo,

Que de lá nos mandavam

Um presente muito lindo.

 

Sem um aviso de chegada,

E sem um remetente,

A vida foi estuprada,

Sem grito e sem dor.

 

Do nada e de repente,

O mundo perdeu sua cor.

Um clarão medonho eterno

Logo, o indício do inferno.

 

Escombros, carros, árvores e corpos voaram

Em chamas, rumo ao infinito.

Se soubessem ou se sonhavam

Nada sentiriam em seu íntimo.

 

Tudo bem destruído, tudo aniquilado;

Sombras nas paredes ficaram,

Em memória de pessoas dizimadas,

Que um dia morreram queimadas.

 

Eduardo M. Moreira.

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