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a poesia transborda
no dorso do enigma
estou longe de mim no
fundo dos olhos do centauro
o mundo me habita e
uma aquarela espera o seu galope
dentro da
infância busco atravessar a ponte
sua voz me guia
trago em mim outras
feras e um peixe a escrever flores
procuro um milagre e
resta apenas este poema
centauro de língua
escarlate a galopar o espelho
estou aqui na poeira
dos seus passos
de mãos dadas com seu
filho a cravar palavras a afogar dias
não importa o
labirinto brinco de deus e beijo suas raízes
no balanço da rede
resta o silêncio e o cheiro do sol na carne da moça na encruzilhada a
construir a arca da salvação
longe de mim a olhar
a sombra dos vaqueiros
estou aqui
tragédia a morder poeira
trago em mim um
epitáfio e uma romaria
não sei ser quase
sou pedra barro lama sêmen
semente de relógio em
um deserto de cicatrizes
minha cruz a marcar o
silêncio
não me ofereça o
paraíso preciso de uma sombra
em mim os cavalos e
os pássaros invocam o sacrifício
o poema com suas
lâminas se aproxima a caminhar além das preces
JOSÉ GERALDO NERES
[inspirado no livro
“a infância do centauro”
de
José
Inácio Vieira de Melo] |