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Fortuna na
Pescaria
I
Partimos à
tarde pro rio Jacaré Pepira;
de caniço,
varas atadas em cipó embira.
Seguimos
estrada afora nas curvas da serra;
rasgando
caminho de chão o pó encerra!
Ainda
falando muitas coisas,... contentes!
Fazia
calor abrasador e o sol ardia dolente!
II
Mirando
distraídos vendo bela paisagem,
em
dissensão da matina naquela linda viagem!
Mas
enquanto pelos campos e pelas matas virgens
seguíamos,
esparsas nesgas se desfiam em íris luzias!
Saímos pra
caatinga deserta o cenário seco carrega,
no monte o
sol no levante, que no cimo se esfrega!
III
O sol
arredondado numa bola feito gema d’ouro,
saía da
auréola de violeta ia prum tom de louro!
O sabiá
como flautista da floresta saudava o dia,
das
ramadas os tangaras o canto em coro de litania.
Verdes
tuins cochichavam nas palmas verdorosas,
do buriti
ornado de orquídeas em sua casca rugosa.
IV
O capelo
de duas águas sob um zimbório de mato;
na banda
da varanda escorre brando um regato.
Assim tão
manhoso tão suave lento e harmonioso;
banhei
nestas águas meus pés cansados e nodosos.
Do velho
ingá o bramido de baitacas em saraivada;
cigarras
uníssonas fazendo escarcéu nas chiadas!
V
Migração
de garças navegavam em flecha no céu!
Os
cambarás, patos selvagens avistávamos ao leu,...
que buscam
pouso nas ribeirinhas águas das lagoas,
vêem se
fartarem manjar de moluscos na ria da croa.
Uma fêmea
cismada, alheia, inquieta de olho arregalado,
pronta
para o levante, mas hesita, o ninho ali pegado.
VI
Este porto
pequenino, rústico aa beira do Jacaré,
mora
aqui dentro do peito, meu refugio, meu pé!
Na mesma
laçada que entrelaça a trava do portão;
enlaça
também nas entranhas d’alma e do coração!
Á tarde
por de trás das rochas um gira-sol em fogaréu.
É o sol
que transpõe o cerro, nos confins azuis anil do céu.
VII
Vamos pro
poço ajeitado, cevado de briguentas piaparas,
Preparo a
isca com tripa, lambari e restolho de palhas.
Distraído
o Amigo uma puxada vai de encontrão,
é a
piapara que leva “de ponta de vara” num estirão
Tenteia e
meneios de todos lados, não dá tréguas.
Pra sentir
a forte sensação caminhamos boas léguas!
VIII
A linha
estica e o coração parece que sair do peito,
momentos
eu acho que vai enroscar, não há jeito.
Meu
companheiro se agita, escapulir agora é mágoa,
esquiva da
ponta de vara, o rebojar na flor d’água!
Ajeito o
puçá vou pro baixio pra morde embarcar;
estico o
braço e levo a rede, se esquiva sai a nadar
IX
D’outra
feita vem à ria e cubro tua cabeça na xolra,
últimas
rebatidas, se contorce tenta inda se escorra;
inda no
remelexo exibe tuas cores, de prata e amarelo.
cerra
forte os dentes, ficamos contente, é feito meu anelo,
prendo na
grade do assado, tempero, tomate, sal e salsa!
no rebato
da área e o petisco e bebida um brinde se alça!
XIII
Quando à
tarde o aroma das flores habita as matas,
Deixamos
que o perfume penetre nas narinas vastas!
bom papo
de nosso amigo Armando, bom anfitrião!
Uma bebida
para tirar a lombeira daquele longo dia,....
Uma lua já
vista vespertina se mostra luar luzente!
Um vulto
finca entre ramas é a juriti em vôo rente!
Assim como
o pássaro que se recolhe ao se ninho,
também
partimos pra casa e todos à caminho.
Uma
aventura nas águas do rio Jacaré Pepira!
Dos Amigos
Ulysses, Luiz e Armando
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