AS FLORES DE PEDRA

 

Quando as dores do mundo são a dor.

Na minha língua vai florindo a flor da loucura.

A lagarta cega entre as folhas da árvore

Fia a forma do efêmero.

 

O galo tece as cores da alvorada

Com os cabelos dos mortos.

As palavras eram de pedra

Quando morreram os últimos jacintos.

 

O arco-íris assinala o lugar das covas,

A minha língua está seca de tanto contar os mortos. 

Meu pai ordenhava as vacas na madrugada;

 

Ao anoitecer, ordenha a morte.

O silêncio da rosa: abismo.

Uma aranha metafísica me anula.

 

José Carlos Mendes Brandão

 

Indique o site para um amigo:

Seu Nome:
Seu E-mail:
Amigo:
E-mail do Amigo:
Mensagem: