A MORTE EM OITO TEMPOS

 

 

1

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Pálido pássaro pousado

na tênue luz da manhã.

 

 

2     

Vôo noturno

 

Agora sabemos o que nenhum anjo sabe.

Agora somos o tempo.

De nossos corpos outras noites nascerão

e juntos voaremos nosso vôo noturno

nas asas do desejo.

 

               

3

Os anjos

 

É inútil matar os anjos.

Onde jogar as asas?

Onde enterrar os corpos?

 

Anjos não têm asas.

Anjos não têm corpos.

 

Os anjos são eternos.

Cada vez mais fortes,

após cada morte

renascem dentro de nós.

 

 

4

Alento

 

Os mortos não estão mortos.

Os mortos não estão sob a terra.

Estão na árvore que treme.

Estão na chuva que cai.

Estão na água que corre.

Estão na casa, estão entre nós.

Os que morreram jamais partiram.

 

 

 

 

5

Antes da aurora

 

Busco a morte

como quem busca o sono.

Morrerei antes da aurora.

Tenho anjos sobre meus ombros.

 

 

6

Meninos de pedra

 

Na estrada da morte

meninos de pedra

quebram seus sonhos.

 

 

7

Réquiem

 

Arranquem meus olhos.

A flor está morta.

 

 

8

O cão da morte 

 

Já não há luz

nem som

nem movimento.

                              

Apenas o cão da morte

me faz companhia.

 

Espera impaciente

o momento de irmos juntos

para lugar nenhum.

 

 

Poema premiado

no Mapa Cultural Paulista – 2003/2004                     

       

Sônia Brandão

 

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