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O Corcunda
“ trova em
versos rimados”
a) Ulysses
Caolho
apoiado no bordão vai solavanco manco;
o giba
tropeça e na sarjeta cai cambaleante torto;
desmorona,
destroça a perna, tomba feito morto,...
a turba
caçoa, não sofreará o riso do feio saltimbanco.
Da
escápula giba, fealdade apadrinha tal duende,
nos
crassos e disformes lábios o berro arde cáustico!
Troças e
vaias ao parvo e bocó, em risos sarcásticos.
Veste
pânico, abarca a face, do escárnio se defende.
Da ladeira
escarpada um tropel, e uma voz aguerrida!
Um caleche
desenfreado conduz um garoto à morte;
pela via
esburacada à corcovos; não terá outra sorte;
preso na
carlinga e sem cocheiro. –Acudam,... apelida!
O giba se
atira sem hesitar, apesar da perna ferida.
Numa
ultima ação o corcunda estira o difuso braço,
de rédea
em punho é atado e arrastado, vai no encalço.
Salva, mas
sob as rodas teu corpo fere jaz sem vida!
Ulysses
Toledo Zorzella
Zorzelu@yahoo.com.br
Glossário de apoio 01/08/07
Escárnio – chacota – deboche
Carlinga – cabine
Fealdade – feioso feiúra
Difusos – longos e disformes
Apelida – chama atenção
Giba – corcunda na
escápula(omoplata)
Caleche – trole
Parvo - bobo
Sofrear – abafar
Saltimbanco – bufão |