Canto de guerra.

Impulsionado por um deus guerreiro,
Renasço na figura santa de um bardo,
Cavaleiro do Caos e cantador de versos.

Travando tantas batalhas íntimas,
Persigo o refrão perfeito,
Prescindo do verso refeito,
E acredito que o espontâneo
Supera o trabalho suado
De rever, rever e rever.

Marcho altivo pelos pensamentos em torrente,
Que enlouquecem aquele que sente,
Com tantos sentimentos sentidos,
Que passam a ser pensados,
Decorrência de um jorro de inspiração.

E se os tambores a guerra anunciam,
Evoco o deus armado até os dentes,
E empunho a palavra, que é o meu gládio,
Exortando os soldados à luta,
Confortando as viúvas de luto
E preservando a alegria das crianças.

Que o poeta é também aquele
Que assume a frente,
Sabendo dos perigos e ignorando a dor,
Só pra dar, à palavra, um poder maior...
Mais do que podem Ogum e Ares,
Mais do que sabem os próprios poetas...

E ecoa a palavra na imperfeição de meus versos,
Que tiram o ritmo de símbolos musicais confusos,
Para render honras ao deus guerreiro,
Aquele que apenas sorriu satisfeito,
Ao ver, no renascer de um homem,
O nascer de um poeta.

Eduvaldo Costa Junior

 

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