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Notícias

Posse na Academia Jahuense de Letras

Realizou-se na última sexta-feira, 09/07/10, 20:00h, no anfiteatro da Escola Estadual Caetano Lourenço de Camargo ,na cidade de Jaú, cerimônia de posse dos novos membros da Academia Jahuense de Letras, dentre eles, o empresário e poeta José Eduardo Mendes Camargo, presidente do Instituto Usina de Sonhos.

Presidindo o evento o atual presidente da Academia, Adonis Pirágine e o vice-presidente, Arnado Jabur.

Entre as autoridades presentes, o prefeito municipal Osvaldo Franchesci Júnior e espôsa Dra. Caroline Franchesci e demais representantes do Legislativo.

Compareceram também, o Secretário de Turismo e Cultura de Dois Córrregos, Witter Francisco Soffner, Denise Carmesini Alves de Lima, vice-presidente e coordenadora do Instituto Usina de Sonhos e Daniela Soffner, coordenadora do Centro Cultural.

Após a cerimônia, foi oferecido um coquetel aos convidados nas dependências do Rotary Clube da cidade.

FOTOS DO EVENTO

BOM DIA fala com Gabriel, o Pensador; veja vídeo

Cantor e compositor esteve no IV Festival Internacional da Poesia  

Carolina Bataier Agência BOM DIA

Dois Córregos, no interior paulista, foi sede do IV Festival Internacional da Poesia no último fim de semana. O evento, organizado pelo Instituto Usina dos Sonhos, contou com a participação de escritores da cidade e com nomes internacionalmente conhecidos, como o ensaísta colombiano Raúl Henao e o poeta venezuelano Luiz Gilberto Caraballo. O público assistiu ainda a apresentações de dança e música. Uma das atrações do domingo (16), último dia do evento, foi a palestra do cantor e poeta Gabriel, o Pensador.

 

TV COM Passeio Público - Poesia com personagem de Dois Córregos

Carolina Bataier

Números infinitos da alma

 

 

O ser está composto principalmente de poemas, especialmente de un poema que lhe dá origem, a este poema, lhe denominei “Autorretrato Poético” ou como bem o chama o crítico literário dominicano Orlando Alcantara: O Metapoema da noite.

“O poema que fiz sobre esta terra foi lançado em alguma maré e a salvo repousa, permanece debaixo de muitos versos com sua imponência, atravessando com sua voz a grandeza daqueles versos que deixam sobre a folha os traços, o corpo da imagem que tenta ser harmônica, há de ser equilibrada em algum ponto para que se converta em ideia.”

Escrevemos sobre a representação inevitável do número como trasfondo ou explicação  dos comportamentos e sentimentos humanos, a álgebra da alma ou o almático numérico, está transcendentalmente marcado em nosso ser, e em uma marca invisível, como uma marca de água que toca desde o mais profundo, desde o mais antigo em nossos genes, nos versos, em nosso eco.

García Lorca em seu poema: Pequeno poema infinito transforma o significado do dois e lhe dá um sentimento vivo de angústia existencial que inclusive envolve o plano do mais distante quando cita: “Os mortos odeiam o número dois” ou quando disse “ o dois adormece as mulheres”  como o expressa “porque é o amor que desespera”. Ou como bem o cita Neruda em sua Ode aos números onde estes são fecundos “Os números pariam”, é uma transformação sublime,  mas existencial que se apropria do verbo e lhe dá conteúdo em quantidades, em espaços e pelo tempo. Contudo em alguma parte do poema disse: “Fomos empapelando o mundo com números e nomes”, que não é mais que chamar as coisas, já que como bem o expõe o poema estas existiam. Há então uma observação posterior a criação, que inevitavelmente levam a numeração, a contar a expressar  em quantidades existentes, no poema de Neruda. Neste ponto de vista  existe uma importante diferença em relação ao poema: Os números do tempo e ao poemário  Poemas de números e séries infinitas, os números pré-existem ao igual que o poema que lhe dá vida  (segundo o poema Autorretrato poético) a existência do ser, e este se constitui de versos e números, o qual o coloca em uma álgebra que se denominou  álgebra almática, alguns acreditaram que é uma espiral infinita que nos incorpora a vida, a nossa transformação, mas prefiro que não seja somente, pelo contrário não só aparece esta manifestação, mas também que invoca o sentido metafórico e de ambiguidade, para convocar as séries infinitas como uma genuína  manifestação polifônica do ser, onde  vão se dispondo sobre sua essência  e vai acontecendo em função de sua poesia, seu ritmo, sua musicalidade interna que  vão “construindo” tecendo desde o mais fundo, como se pertencesse a um espaço que soubesse nossa própria existência. É então, nesse recorrido da vida que o ser adverte sobre si mesmo, uma “exatidão” que muitas vezes  o convida, o marca em seus sonhos, e que ao finalizar sua existência contínua em sua metáfora, porque esta o sobrevive em matéria e o acompanha em espírito, na álgebra numérica  infinitamente em sua viagem até outros territórios, aos mais distante, a estrela mais pura que leva seu silêncio e sua memória.

Palestra proferida pelo poeta venezuelano Luis Gilberto Caraballo no IV Festival

Internacional de Poesia em Dois Córregos, 16 de maio de 2010.

 

Tradução: Silvana Ap. Duarte

O HORIZONTE SAGRADO DA POESIA MODERNA

 

A poesia que une ou separa, que sustenta ou derruba as almas, que dá ou tira dos homens a fé e a respiração, é mais necessária aos povos do que a indústria, pois esta lhes proporciona o modo de  persistir, enquanto aquela lhes dá o desejo e a força da vida.

                                   (José Martí)

 

 Imerso nas águas sombrias do rio heracliteano, o mundo contemporâneo  carece de sentido ou  essência distinta a memória indefinida, superficial, improvisada  ou impressionista do acontecer cotidiano. A  ideia de mundo – se pode falar todavia de algo pelo estilo - se assemelha cada vez mais a essa concepção  extremo – oriental que opina como fundamento último de toda realidade o nada e o vazio absolutos. Só que em universo ocidental esse nada ou vazio em nenhum momento se iguala com o ser ou com o divino, como sucede com aquelas doutrinas, que eventualmente  se mostra escurecida de uma negação religiosa  descarnada e mecanicista, que tudo se apaga e oprime no espírito de negação pretensiosamente  racional ou científica.

Se explica então, que esta  última  desvalorização ou degradação da realidade, leve consigo, em sua caída infinita, a linguagem que a aproxima ao modo do compreender humano... e mais especificamente a palavra poética: palavra das origens e a criação, súplica e exorcismo, canto e celebração, tal como entendera a cultura grega antiga. Essa palavra que antes de ser moeda de troca, instrumento de união ou comunicação social, é pura emoção ou paixão, reverência da vida,  espanto do simples estar no mundo.

Não existe uma distância  inicial que separe o poeta do mundo: neste sentido a poesia é e foi sempre linguagem de comunhão – contradizendo o que disse a respeito Octavo Paz (1)- e só em seu defeito, no contexto alienado da chamada cultura moderna, será também linguagem de solidão ou ausência, de exílio ou blasfêmia.

Contudo, é justo reconhecer que nada, de modo decisivo, conseguiu até o presente nos revelar a essência da palavra poética  intocável e obscura por natureza. Nem sequer  as reflexões hiperlúcidas de Martín Heidegger – ao dizer  de muitos de seus leitores, o último grande pensador europeu – que a considera morada do ser, fundação do ser pela palavra, conseguem nos fazer um ponto mais claro sua essência ou sentido. A este propósito, resulta curioso a mais antiga definição da poesia  em língua espanhola, possivelmente  a de Juan Alonso de Baena (ano 1300).

Uma escritura muito sutil, graciosa, doce e muito agradável a todos os ouvintes(...)

dada, recebida  e alcançada por graça natural do senhor Deus (...) arte de tão elevado

entendimento e  sutil humor, que não se pode aprendê-la, ter o alcançá-la, nem conhecer bem como se deve, salvo por aquele homem que seja de muita altas e sutis invenções e de muita elevada  e pura discrição  e sã e total juízo e tal que haja ouvido e lido muitos e diversos livros e escritos.

 E vale a pena anotar como para Baena a poesia é não só uma arte do bem dizer senão que exalta seu caráter inspirado e profético, de arte sagrada e luminosa... que muda ou transforma ao homem que a exerce com vocação ou destino.

Nesta definição se encontra já no íntimo a concepção moderna da poesia – a partir de Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé e Apollinaire - entendida como “aventura espiritual” que entre outros objetivos busca dar (...) um sentido cada vez mais puro à ideia divina que se encontra em nós tão viva e verdadeira  (G. Apollinaire) (2). Ou em última instância, pelo menos: lançar ao mundo inteiro a invasão do desconhecido (Benjamín Péret) (3). O que em definitiva significa entender a poesia como um modo de conhecimento pelo mito, o amor e a imaginação... como uma experiência transcendental  enlaçada com a experiência mística só que enquanto  a experiência mística é uma imersão no absoluto, a poesia é um expressão do absoluto ou da fracassada tentativa para chegar-se a ele, nos recorda oportunamente Octavio Paz (4)… e não como mais um gênero literário, ao serviço indiscriminado das mais diferentes causas político-econômicas ou sociais.

Se adverte pois a existência de uma veia central, fio trágico, linha negra ou tradição iniciada, como se queira chamá-la, cuja origem se remonta a esse oriente milenário (oriente mental, o denomina Paul Valéry) do qual, segundo parece, procede toda a sabedoria poética, religiosa e contemplativa da humanidade; prolongando-se no âmbito ocidental através dos pitagóricos  e neoplatônigos gregos e latinos, os trovadores provençais, os grandes românticos  alemães e ingleses, os poetas malditos ou os surrealistas franceses e os modernistas hispanoamericanos.

Essa tradição visionaria sobrevivente, põe toda sua ênfase em ressaltar o caráter  sagrado da poesia; como se transparece na obra dos grandes poetas de todos os tempos: Homero y Hesíodo, Dante, Shakespeare, Goethe, Hölderlin, Novalis, Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé, Lubicz Milosz, Rilke, Pessoa, Celan, Char, Vallejo, Borges, Moro, Molina, etcétera… reflexo do caráter sagrado do mundo: um sagrado extrarreligioso  (André Breton) (5) desde logo, porque a diferençada intuição  religiosa,  devedora da ideologia, extremamente dualista e antinômica judeu-cristiana ocidental, não  marca como desprezível ou profano nenhum aspecto da realidade material.

O sagrado está no horizonte de toda grande poesia moderna afirma o crítico e poeta francês René Menard (6). E esse horizonte luminoso gravita, em dúvida, em aberta rebelião frente a uma cultura céptica e positivista, onde as coisas do espírito se vendem com frequência  na praça pública e que cada dia oferece novos, sangrentos holocaustos, nos altares do bezerro de ouro neoliberal ou do Golem cientificista  pósmoderno.

Desde sempre, a poesia havia proposto unificar os lemas  de Marx e Rimbaud: modificar a vida, transformar o mundo; se compreende, com certeza, que eles se referiam a este mundo nosso provisório e fictício, alienado no marco da tecnoanarquia.... onde os mortos enterram os vivos e em que nos tocou em morte viver.

  (1)       Poesía de Soledad y Poesía de Comunión  Las Peras del Olmo. Pags. 95 – 106. Barcelona. 1971.

El Espíritu Nuevo y los Poetas. Revista Gradiva No. 7 y 8”.  Bogotá. 1989.

Antología de Mitos, Leyendas y Cuentos Populares de América.  Revista El Hijo Pródigo.  México.

Poesía de Soledad y Poesía de Comunión. Las Peras del Olmo. Ed. Seix Barral, Barcelona. Pág. 99. 1971.

El Surrealismo: Puntos de Vista y Manifestaciones. Página 293.  Barral Editores. Barcelona. 1970.

La Experiencia Poética.  Pág. 89.  Monte Avila Ed. Caracas. 1971.

Tradução: Silvana A. Duarte

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LUMINESCÊNCIA

 

 

Vou despertar como o sol,

desvirginando nuvens,

aquecendo corpos

e perdendo-me no horizonte.

 

Vou me recolher como a lua,

dançando entre as estrelas,

refletindo-me nas águas,

iluminando o caminho dos encontros.

 

Vou me fundir em tua luz

e a nossa união

resplandecerá no universo.

 

José Eduardo Mendes Camargo