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Posse na Academia Jahuense de Letras
Realizou-se na última
sexta-feira, 09/07/10, 20:00h, no anfiteatro da Escola Estadual
Caetano Lourenço de Camargo ,na cidade de Jaú, cerimônia de posse dos
novos membros da Academia Jahuense de Letras, dentre eles, o
empresário e poeta José Eduardo Mendes Camargo, presidente do
Instituto Usina de Sonhos.
Presidindo o evento o
atual presidente da Academia, Adonis Pirágine e o vice-presidente,
Arnado Jabur.
Entre as autoridades
presentes, o prefeito municipal Osvaldo Franchesci Júnior e espôsa
Dra. Caroline Franchesci e demais representantes do Legislativo.
Compareceram também,
o Secretário de Turismo e Cultura de Dois Córrregos, Witter Francisco
Soffner, Denise Carmesini Alves de Lima, vice-presidente e
coordenadora do Instituto Usina de Sonhos e Daniela Soffner,
coordenadora do Centro Cultural.
Após a cerimônia, foi
oferecido um coquetel aos convidados nas dependências do Rotary Clube
da cidade.
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Números infinitos da alma

O
ser está composto principalmente de poemas, especialmente de un poema
que lhe dá origem, a este poema, lhe denominei “Autorretrato
Poético” ou como bem o chama o crítico literário dominicano
Orlando Alcantara: O Metapoema da noite.
“O poema que fiz
sobre esta terra foi lançado em alguma maré e a salvo repousa,
permanece debaixo de muitos versos com sua imponência, atravessando
com sua voz a grandeza daqueles versos que deixam sobre a folha os
traços, o corpo da imagem que tenta ser harmônica, há de ser
equilibrada em algum ponto para que se converta em ideia.”
Escrevemos sobre a representação inevitável do número como trasfondo
ou explicação dos comportamentos e sentimentos humanos, a álgebra da
alma ou o almático numérico,
está transcendentalmente marcado em nosso ser, e em uma marca
invisível, como uma marca de água que toca desde o mais profundo,
desde o mais antigo em nossos genes, nos versos, em nosso eco.
García Lorca em seu poema: Pequeno poema infinito transforma o
significado do dois e lhe dá um sentimento vivo de angústia
existencial que inclusive envolve o plano do mais distante quando
cita: “Os mortos odeiam o número dois” ou quando disse “ o
dois adormece as mulheres” como o expressa “porque é o amor
que desespera”. Ou como bem o cita Neruda em sua Ode
aos números
onde estes são
fecundos “Os números pariam”, é uma transformação sublime, mas
existencial que se apropria do verbo e lhe dá conteúdo em quantidades,
em espaços e pelo tempo. Contudo em alguma parte do poema disse:
“Fomos empapelando o mundo com números e nomes”, que não é mais
que chamar as coisas, já que como bem o expõe o poema estas existiam.
Há então uma observação posterior a criação, que
inevitavelmente levam a numeração, a contar a expressar em
quantidades existentes, no poema de Neruda. Neste ponto de vista
existe uma importante diferença em relação ao poema: Os números do
tempo e ao poemário Poemas de números e séries infinitas,
os números pré-existem ao igual que o poema que lhe dá vida (segundo
o poema Autorretrato poético) a existência do ser, e este se constitui
de versos e números, o qual o coloca em uma álgebra que se denominou
álgebra almática, alguns acreditaram que é uma espiral infinita que
nos incorpora a vida, a nossa transformação, mas prefiro que não seja
somente, pelo contrário não só aparece esta manifestação, mas também
que invoca o sentido metafórico e de ambiguidade, para convocar as
séries infinitas como uma genuína manifestação polifônica do ser,
onde vão se dispondo sobre sua essência e vai acontecendo em função
de sua poesia, seu ritmo, sua musicalidade interna que vão
“construindo” tecendo desde o mais fundo, como se pertencesse a um
espaço que soubesse nossa própria existência. É então, nesse recorrido
da vida que o ser adverte sobre si mesmo, uma “exatidão” que muitas
vezes o convida, o marca em seus sonhos, e que ao finalizar sua
existência contínua em sua metáfora, porque esta o sobrevive em
matéria e o acompanha em espírito, na álgebra numérica infinitamente
em sua viagem até outros territórios, aos mais distante, a estrela
mais pura que leva seu silêncio e sua memória.
Palestra proferida pelo poeta venezuelano Luis Gilberto Caraballo no
IV Festival
Internacional de Poesia em Dois Córregos, 16 de maio de 2010.
Tradução: Silvana
Ap. Duarte |
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O HORIZONTE SAGRADO DA POESIA MODERNA

A poesia que une
ou separa, que sustenta ou derruba as almas, que dá ou tira dos homens
a fé e a respiração, é mais necessária aos povos do que a indústria,
pois esta lhes proporciona o modo de persistir, enquanto aquela lhes
dá o desejo e a força da vida.
(José Martí)
Imerso nas águas
sombrias do rio heracliteano, o mundo contemporâneo carece de sentido
ou essência distinta a memória indefinida, superficial, improvisada
ou impressionista do acontecer cotidiano. A ideia de mundo – se pode
falar todavia de algo pelo estilo - se assemelha cada vez mais a essa
concepção extremo – oriental que opina como fundamento último de toda
realidade o nada e o vazio absolutos. Só que em universo ocidental
esse nada ou vazio em nenhum momento se iguala com o ser ou com o
divino, como sucede com aquelas doutrinas, que eventualmente se
mostra escurecida de uma negação religiosa descarnada e mecanicista,
que tudo se apaga e oprime no espírito de negação pretensiosamente
racional ou científica.
Se explica então, que
esta última desvalorização ou degradação da realidade, leve consigo,
em sua caída infinita, a linguagem que a aproxima ao modo do
compreender humano... e mais especificamente a palavra poética:
palavra das origens e a criação, súplica e exorcismo, canto e
celebração, tal como entendera a cultura grega antiga. Essa palavra
que antes de ser moeda de troca, instrumento de união ou comunicação
social, é pura emoção ou paixão, reverência da vida, espanto do
simples estar no mundo.
Não existe uma
distância inicial que separe o poeta do mundo: neste sentido a poesia
é e foi sempre linguagem de comunhão – contradizendo o que disse a
respeito Octavo Paz (1)- e só em seu defeito, no contexto alienado da
chamada cultura moderna, será também linguagem de solidão ou ausência,
de exílio ou blasfêmia.
Contudo, é justo
reconhecer que nada, de modo decisivo, conseguiu até o presente nos
revelar a essência da palavra poética intocável e obscura por
natureza. Nem sequer as reflexões hiperlúcidas de Martín Heidegger –
ao dizer de muitos de seus leitores, o último grande pensador europeu
– que a considera morada do ser, fundação do ser pela palavra,
conseguem nos fazer um ponto mais claro sua essência ou sentido. A
este propósito, resulta curioso a mais antiga definição da poesia em
língua espanhola, possivelmente a de Juan Alonso de Baena (ano 1300).
Uma escritura muito
sutil, graciosa, doce e muito agradável a todos os ouvintes(...)
dada, recebida e
alcançada por graça natural do senhor Deus (...) arte de tão elevado
entendimento e sutil
humor, que não se pode aprendê-la, ter o alcançá-la, nem conhecer bem
como se deve, salvo por aquele homem que seja de muita altas e sutis
invenções e de muita elevada e pura discrição e sã e total juízo e
tal que haja ouvido e lido muitos e diversos livros e escritos.
E vale a pena anotar
como para Baena a poesia é não só uma arte do bem dizer senão que
exalta seu caráter inspirado e profético, de arte sagrada e
luminosa... que muda ou transforma ao homem que a exerce com vocação
ou destino.
Nesta definição se
encontra já no íntimo a concepção moderna da poesia – a partir de
Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé e Apollinaire - entendida como “aventura
espiritual” que entre outros objetivos busca dar (...) um sentido cada
vez mais puro à ideia divina que se encontra em nós tão viva e
verdadeira (G. Apollinaire) (2). Ou em última instância, pelo menos:
lançar ao mundo inteiro a invasão do desconhecido (Benjamín Péret)
(3). O que em definitiva significa entender a poesia como um modo de
conhecimento pelo mito, o amor e a imaginação... como uma experiência
transcendental enlaçada com a experiência mística só que enquanto a
experiência mística é uma imersão no absoluto, a poesia é um expressão
do absoluto ou da fracassada tentativa para chegar-se a ele, nos
recorda oportunamente Octavio Paz (4)… e não como mais um gênero
literário, ao serviço indiscriminado das mais diferentes causas
político-econômicas ou sociais.
Se adverte pois a
existência de uma veia central, fio trágico, linha negra ou tradição
iniciada, como se queira chamá-la, cuja origem se remonta a esse
oriente milenário (oriente mental, o denomina Paul Valéry) do
qual, segundo parece, procede toda a sabedoria poética, religiosa e
contemplativa da humanidade; prolongando-se no âmbito ocidental
através dos pitagóricos e neoplatônigos gregos e latinos, os
trovadores provençais, os grandes românticos alemães e ingleses, os
poetas malditos ou os surrealistas franceses e os modernistas
hispanoamericanos.
Essa tradição
visionaria sobrevivente, põe toda sua ênfase em ressaltar o caráter
sagrado da poesia; como se transparece na obra dos grandes poetas de
todos os tempos: Homero y Hesíodo, Dante, Shakespeare, Goethe,
Hölderlin, Novalis, Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé, Lubicz Milosz,
Rilke, Pessoa, Celan, Char, Vallejo, Borges, Moro, Molina, etcétera…
reflexo do caráter sagrado do mundo: um sagrado extrarreligioso
(André Breton) (5) desde logo, porque a diferençada intuição
religiosa, devedora da ideologia, extremamente dualista e antinômica
judeu-cristiana ocidental, não marca como desprezível ou profano
nenhum aspecto da realidade material.
O sagrado está no
horizonte de toda grande poesia moderna afirma o crítico e poeta
francês René Menard (6). E esse horizonte luminoso gravita, em dúvida,
em aberta rebelião frente a uma cultura céptica e positivista, onde as
coisas do espírito se vendem com frequência na praça pública e que
cada dia oferece novos, sangrentos holocaustos, nos altares do bezerro
de ouro neoliberal ou do Golem cientificista pósmoderno.
Desde sempre, a
poesia havia proposto unificar os lemas de Marx e Rimbaud: modificar
a vida, transformar o mundo; se compreende, com certeza, que eles se
referiam a este mundo nosso provisório e fictício, alienado no marco
da tecnoanarquia.... onde os mortos enterram os vivos e em que nos
tocou em morte viver.
(1)
Poesía de Soledad y Poesía de Comunión Las Peras del Olmo. Pags.
95 – 106. Barcelona. 1971.
El
Espíritu Nuevo y los Poetas. Revista Gradiva No. 7 y 8”. Bogotá.
1989.
Antología
de Mitos, Leyendas y Cuentos Populares de América. Revista El Hijo
Pródigo. México.
Poesía de
Soledad y Poesía de Comunión. Las Peras del Olmo. Ed. Seix Barral,
Barcelona. Pág. 99. 1971.
El
Surrealismo: Puntos de Vista y Manifestaciones. Página 293. Barral
Editores. Barcelona. 1970.
La
Experiencia Poética. Pág. 89.
Monte Avila Ed. Caracas. 1971.
Tradução: Silvana A. Duarte |